the young and the old

My recent posts have been about food (to call it my “passion” would be an understatement, but I’d rather not discuss this right now), but I expect that at the end of this year, I will have many subway stories to tell.

It was an important day for Bostonians, thus the train was incredibly full. There were Red Sox jerseys and caps scattered all over the subway. I held on to the metal pool on my right, as my body violently shook with the train’s departure. Scanning my surroundings, I took notice of a young lady, dressed semi-professionally, pressing a folder against her chest as she stared down her notes. Given that the train was packed, a female university student accidentally bumped into her with her overflowing backpack. A less than friendly glare was thrown her way, but at that time of the day, who wouldn’t.

A couple of stations later, seats started to become available and the young lady swiftly claimed a spot for herself as she continued to stare down her notes. One stop later, an elderly man sporting a walking frame entered the train and I noticed that he was eyeing the seat the young lady was occupying. He approached her in the speed his walking frame allowed him to walk, as she sensed his presence and hesitantly looked up.

“Oh, would you like to sit here?” she bluntly asked.

I was surprised that she had to ask him and not offer him the seat.

I heard no words come from his mouth, but the young lady said, “There is a seat right there. I mean, you can sit there.”

She was pointing towards that one seat I always thought of as the “solitary seat,” where there is no way you can be attacked by people’s backpacks even in crowded situations. There was no way the elder man was going to manage to twist his body in the small space and hold on to his walking frame.

“These are priority seats,” remarked an elderly woman sitting next to the young lady.

“Oh, they are?”

Without uttering an apology, she quickly made her way to the solitary seat, with her face, now red, buried in her notes again.

The last thing I heard before I resumed listening to my music was: “They should know this by now.”

They = other people? I suspect she was hinting towards the youth who inhabit this Earth today. Shame on us…

Fast forward two days and it was finally Friday, one day before the victory parade that would take over the entire city of Boston. I sighed in relief that it was finally the end of the week, as I took my usual spot on the train. I stood facing an elder woman who wore a black and white long skirt and a black bandanna that covered her head. Her face was small, which made her dangling earrings seem bigger than they actually were. Something about her caught my eye. Perhaps it was the grin that she wore on her face.

After one stop, a couple of people hopped on the train, but we took longer to depart this station. A middle-aged woman wearing a baby blue sweatshirt was holding up the line because she either did not have a train pass or she was searching for money to pay for her fare. A couple of stations later, as the middle-aged woman leaned against a wall, the grinning elder woman stretched out her hand with a train pass in it. She was giving her train pass away to the woman because she felt that she would make more use of it in the future. I caught myself watching this incident wide-eyed as others were smiling at these women.

Unlike the previous incident, the elderly woman gave without expecting anything in return and offered without being asked to act – perfect examples of the power of giving to others and receiving from others. You never know when you can transform someone’s day with a simple action or movement. These women have definitely reminded me of something very important.

T.

suave desequilíbrio

Fui feita assim, desafinada.
Mas sou dona de uma voz que me faz falar e ser ouvida por outros.

Fui feita assim, com um olho maior que o outro.
Mas sou dona de um par de olhos pra enxergar as belezas e impurezas do mundo.

Fui feita assim, com uma perna esguiada pra dentro, causando desconforto quando uso sapatos muito fechados.
Mas sou dona de um par de pernas que me guia por vários lugares do mundo.

Fui feita assim, com um sorriso torto que está me levando anos para consertar.
Mas sou dona de um sorriso que me auxilia na expressão de gratidão e felicidade.

Fui feita assim, com uma pele pálida, mas meu valor não está vinculado à nada físico.

Fui feita assim, com mechas de fios brancos entre meus fios castanhos, um lembrete conspícuo que os anos estão passando.

T.

pequenas

Sabe aquela preguiça que bate depois do almoço, independente do tamanho da porção de carboidrato que ingeriu ou sobremesa que não resistiu? Seeeeei.

Não importa se é pra ir pra aula ou pra escolinha onde trabalho, sinto vontade de estar em casa, com roupas mais largas e confortáveis. Apesar de eu sentir isso inúmeras vezes, eu sinto que volto um tanto mudada quando entro em casa a noite. Além das minhas aulas serem bastante estimulantes, com discussões sobre assuntos que me fortalecem academicamente, eu aprendo muito quando estou entre crianças onde trabalho. Apesar de alguns falarem às vezes em frases ininteligíveis, eu vejo como estes pequenos estão aprendendo a enxergar o mundo. São dedinhos que apontam para o céu perguntando sobre o formato das nuvens ou que pegam na minha mão pra me levar pra conhecer os bichinhos de pelúcia ou que montam um quebra-cabeça de 12 peças gigantes. E todos os dias quando lembro de pequenos grandes momentos como estes, não há como não sorrir também.

No final das contas, são os rostinhos deles que fazem a grande diferença quando volto pra casa. Como é possível um rosto tão pequeno comportar um sorriso tão grande? Apesar da minha mão conseguir cobrir um rosto, eu queria poder pegar um sorriso entre meus dedos, segurá-lo em meu punho e guardá-lo dentro do bolso para futuras ocasiões quando um sorriso vira uma raridade e uma necessidade.

E logo hoje ouvi um coral de gargalhadas, mas gargalhadas tão fortes que meu tímpanos começaram a pulsar, minhas sobrancelhas saltaram e meus olhos esbugalharam. Tamanha inocência e pureza que caracteriza as ações destas crianças me faz querer enxergar o mundo de uma maneira mais positiva. Apesar dos poucos meses que trabalho alí, já são pequenas, logo importantes, mudanças que fui observando, como uma menina tímida que já gargalha alto e brinca com outras crianças e um menino que agora corre sem cair. Pequenas mudanças que às vezes não são notadas. Talvez os nossos dias também trazem mudanças em nossos relacionamentos, nossas escolhas e passos para vencer na vida.

Quem diria que um grande sorriso vindo de pequenas pessoas teria um poder fascinante assim?

T.

meias verdes

Eu estou andando de metrô todos os dias e logo aprendi a fazer pouco contato visual com as pessoas e adotar a técnica “cara de árvore” que fazemos quando olhamos pra fora da janela pra poupar a bateria do smartphone. Porém, eu costumo olhar pro chão e foi assim que eu vi: meias verdes com desenhos (pareciam sapos, mas não consegui decifrar) dentro de sapatos marrons. O dono das meias verdes usava calça capri verde esmeralda, uma camisa branca e uma mochila roxa com detalhes em marrom escuro. Entre tons terra, preto e cinza, as meias verdes destacaram bastante naquele vagão. Infelizmente eu não tenho coragem de deixar minhas meias à mostra, costumo escondê-las bem dentro de botas de cano curto. Mas acho que minhas meias de onça fariam sucesso…

Logo vi que eu não era a única olhando para as meias verdes. Muitos olhos o seguiam e muitas cabeças viraram quando as meias verdes atravessaram o primeiro vagão até a porta de saída. Depois disso, tudo voltou a ser cinza, branco, bege, normal e igual. Procuramos fugir da mesmice mas, ao mesmo tempo, vivemos com medo de sermos diferentes.

Apesar de eu não ser dona de um par de meias verdes, eu posso ser dona de um gesto bondoso no vagão do metrô ou de um sorriso ao cruzar com estranhos em ruas estreitas.

E o dono das meias verdes nunca saberá que ele me fez perceber algo importante naquele dia.

 T.

palavras/words

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Palavras carregam o poder da cura, de transformar bocas amargas em lábios de mel. Mas palavras também danificam corações, judiam da alma e deixam mentes pensando por horas, dias e anos.

Acima de tudo, palavras transformam olhares. Esse pensamento me motivou a transferir minhas observações do cotidiano às histórias e palavras que inspiram felicidade, paz e amor, assim buscando sorrisos de todos os cantos dos nossos corações que batem forte todo dia apesar das incertezas e sofrimentos.

Espero que este cantinho aqui, no mundo virtual, continue inspirando a mim e a outros para cultivarem a imaginação em pequenos e grandes jeitos.

Words hold healing power as they can quickly transform a bitter frown into a sweet smile. Yet, words also tear hearts, damage souls, and leave minds racing for hours, days, and years.

Above all, words transform our outlooks in life and the way we choose to see the world. This thought motivated me to take my observations and transform them into stories and words that inspire happiness, peace, and love, hopefully capturing smiles from the innermost corners of our hearts that strongly pounds against our chest despite its insecurities and struggles.

I wish this online space will continue to be an inspiration ground for myself and others to arouse our imagination in tiny and enormous ways.

T.